Acordem Gugus e Lulus! O contra-artigo do alívio.
(Autor: Jean Richard) 14/05/2014
Iniciamos esta semana aliviados. Felizmente aliviados após um artigo de
um senhor que não merece ter seu nome citado, para não dar-lhe mais fama do que
merece ter; dada a sua falta de competência e ausência de compreensão nos
assuntos educacionais. Por que sentir-se aliviado com um artigo publicado em
uma revista que não vale a pena ser vista, apesar do que com letras garrafais
se pede em sua capa? O alívio é porque em seu texto, de qualidade suspeita, o
dito autor prometeu que será a última tentativa de escrever para os professores
brasileiros.
Agora, conhecendo a razão do alívio, sabemos que isso é um grande motivo
para se comemorar, pois se o que o distinto cavalheiro escreveu não for mais
uma de suas enganações e ele for uma pessoa que cumpre honradamente palavras
ditas, ou como alguns podendo de maneira até mais radical cobrá-lo citando o
dito popular, honrar o que, se supõe, ter entre as pernas; finalmente estaremos
livres de mais um pseudo-especialista em um determinado assunto. No caso desse
pseudo-autor, o público em geral estará livre de mais um que pensa saber algo
sobre a educação. O mundo sabe que o Brasil está cheio de pseudos-alguma-coisa
que entendem muito pouco, quase nada ou simplesmente nada do assunto que tentam
falar ou escrever. Esse não é o primeiro e, para azar dos brasileiros, não será
o último pseudo-alguma-coisa do país.
A
nação, infelizmente, está repleta de Gugus, Dudus, Zuzus e Lulus que enganam o
povo com teorias e teses falsas fabricadas e compradas. Sem fundamentos e
distantes da realidade, falácias teóricas são vendidas na mídia e alcançam o
público, que muitas vezes inocentemente tomam como verdades inabaláveis. Pior,
é quando governantes compram essas ideias de maneira intencional para poderem,
através da grande mídia, manipular a opinião pública. O senhor sem nome não
conseguirá enganar o povo e nem manipulá-lo com um texto tão baixo, pois com
sua argumentação leviana e infundada, enforcou-se em seu próprio cadafalso ao
tentar responsabilizar os professores por todos os problemas do sistema
educacional. O leigo autor é extremamente leviano e ofensivo ao escrever,
utilizando-se de maneira ridícula e pobre, generalizações que o povo sabe não
serem verdades. Já se sabia que o infeliz autor era uma pessoa apenas ligada a
números, e sem surpresas, observam-se no artigo suas reais intenções vis, ao
querer de maneira rasteira, desmoralizar e destruir perante a sociedade, toda
uma categoria, que apesar de todos os problemas ainda é uma das profissões mais
respeitadas pelos brasileiros; mesmo com os constantes ataques ralos produzidos
por políticos e órgãos midiáticos. Esse respeito e valorização conquistados do
público para os educadores, certamente não é o mesmo que se vê quando a
população precisa dizer algo a respeito de economistas, advogados,
empreiteiros, jornalistas, políticos, juízes, etc. Hoje, a grande maioria dos
brasileiros acredita que uma parcela desses profissionais visa, de maneira
egoísta, unicamente os próprios interesses, e como popularmente dizem, se lixam
para o coletivo. Alguns sinais desse desinteresse pela coletividade são
visíveis – ou escritos - em qualquer canto do país e presenciados todo santo
dia por qualquer verdadeiro trabalhador mais atento. Ainda bem que hoje temos
uma sociedade mais bem informada, mais crítica, mais politizada e mais bem
educada, para desgosto da elite autoritária e burguesa.
Nossa sociedade, não acredita mais assim tão
fácil em contos de fadas elitistas do tipo: Era uma vez um rico que venceu e
deve ser servido pelo pobre infeliz, que apesar de não ter vencido deve
acreditar e aceitar que servir é seu destino. Diferente do que os Gugus e as
Lulus escrevem e dizem, a população abandonada pela elite, apesar dos percalços,
tem sido sim, muito bem educada pelos professores que, também abandonados pelo
poder público, são os que ainda dão esperança para o povo de que a escola pública,
também tão maltratada e esquecida, seja a solução para uma vida melhor dos
estudantes. Pais são testemunhas da dedicação e esforço de professores para que
seus filhos aprendam e tenham grandes oportunidades no futuro. No ensino
público os pais esperançosos colocam seus filhos, e são os professores da
escola pública que contribuíram ao longo dos últimos anos para que a sociedade
atingisse um grau maior de criticidade; e ainda contribuem. Na verdade, pessoas
com um alto nível de criticidade é o grande temor dos governantes e mídia, por
isso a escola pública e seus educadores tem sido atacados de forma sistemática
e cruel. Parece estar em andamento uma tentativa orquestrada de desmoralizar o
ensino público e seus funcionários, para que ao final consigam o grande intuito
que é a privatização do ensino, e assim liberarem para outras coisas as grandes
verbas destinadas para a educação. Esses dados os Gugus e Lulus ignoram ou
fingem ignorarem para possibilitar a continuação de maneira deliberada e
acintosa os ataques ao sistema público de ensino que é o pouco que resta de
credibilidade nesse país.
A
única coisa que se pode concordar no artigo tão infeliz do pseudo-autor é que
ele acertou ao escrever que o povo está ao lado dos professores. Para assombro
e incapacidade intelectual do pobre autor, o povo está realmente do lado dos
educadores, não porque tem pena deles, mas sim porque são parceiros, respeitam
e compreendem todas as dificuldades que juntos vem enfrentado para educar de
maneira digna as crianças e jovens desse país. Jogados a própria sorte pelo
poder público e pela grande mídia mentirosa, pais e professores são obrigados a
se virarem sozinhos para capacitar os estudantes para o mundo que conviverão.
Pais e professores sabem que os valores investidos, citados pelo triste autor,
na verdade só tem enriquecido empresários e suas empresas, que gananciosamente
entram no sistema educacional para obterem lucros fáceis e garantidos. É bom
informar ao desinformado autor que gosta de números, que se pesquisasse o que
foi “investido” em educação, descobriria que tem muita editora (inclusive para a
qual trabalha), gravadora, empresa alimentícia e de limpeza, fornecedora de
uniformes e material escolar, para não falar de outras tantas, que enriquecem
seus cofres com o dinheiro “investido” na educação. O lúgubre autor, que não sei se é careca e
isso pouco importa, deveria guardar seu proverbial pente para quando precisar e
quando souber e compreender plenamente o que realmente significa investir em educação.
A população brasileira e os educadores já estão cansados de ver diariamente
quanto dinheiro público é desperdiçado e não atinge seus reais objetivos.
A
insistente perseguição do medonho autor aos professores, parece ter se inspirado
no deus Asteca Huitzilopochtli que tinha a característica bizarra de saciar sua
fome comendo humanos como “lanchinho”. Será que nos seus devaneios íntimos e
desjejuns diários os professores são vistos e desejados como o seu “lanchinho”?
Quando a máscara do desconhecimento da realidade do sistema educacional cai, o
que se vê é um monstro sem caráter. O povo, que ao contrário do que os
pseudos-autores pensam, tem discernimento e sabedoria para perceber quando um
texto extrapola a realidade. Sábios, conseguem constatar a falsidade e a
cumplicidade escusa nas letras dos Gugus e das Lulus.
Aos brasileiros, cabe descobrirem o que os reais educadores desse país
já sabem: sempre haverá dândis que nunca estudaram ou vivenciaram verdadeiramente
uma escola pública brasileira, mas tentam sem sucesso falar ou escrever sobre
elas. Esses dândis contemporâneos, com seus olhares distantes e diplomas
supostamente conceituados, algumas vezes internacionais, desconhecem e se negam
a sentirem na pele todos os dramas daqueles que realmente, mesmo em meio a
todas as dificuldades, forjaram e ainda forjam esta nação.
O
Brasil cansou de intrometidos na educação, como alguns economistas que há
décadas cospem na cara dos brasileiros sua arrogância monetária e subtraem do
povo, todo dia, mais valores que arrancam impiedosamente da sociedade,
principalmente dos mais desfavorecidos e levam o cidadão incauto e
desguarnecido para a beira da falência econômica, social e moral. Com seus
tablets e calculadoras financeiras tentam mostrar que possuem o resultado para
o crescimento e melhora do país, mas só monopolizam cada vez mais seus ganhos e
o das grandes corporações. Enquanto os falsos teóricos da salvação se trancam
em suas fortalezas inexpugnáveis, andam nas ruas com seus blindados e sua
polícia particular e matriculam seus filhos em escolas altamente elitistas,
aqui ou no exterior, a sociedade se engalfinha e se mata nas ruas, por um
pedaço de pão, um troco a mais, um tênis de marca, um “barato” que contagia ou
uma zoeira passageira. Aqui, na “terra brasilis”, tentam culpar a educação por
tudo. Mas, esse povo que se mata nas ruas e vive essa situação crítica diária
de descaso dos nossos líderes que detêm o poder econômico e político do país,
felizmente e duramente ainda só sobrevive, no sempre chamado país do futebol,
exclusivamente por causa do esforço e da vontade dos professores, gestores,
familiares e alunos que ainda trabalham, frequentam e estudam nas escolas
públicas.
A
educação é parte de um processo, mas os professores e gestores das escolas
públicas, com raríssimas exceções, preste bem atenção desatento autor, são os
únicos que ainda tem a coragem de atuarem na linha de frente, e obviamente com
a grandíssima maioria de pais e alunos os reconhecendo e ainda valorizando seus
trabalhos. As comunidades em torno das escolas há muito já se sentem
abandonadas pelo poder público e pela grande mídia que só comparecem, como
urubus, com seus helicópteros sobrevoando as áreas carentes, apenas para
noticiarem com estardalhaço mais um crime, e ao vivo continuarem estigmatizando
e rotulando negativamente regiões carentes e seus moradores. Por que será que
os pseudo-teóricos-de-alguma-coisa não cobram as autoridades e a grande mídia
para que os urubus de plantão planem com mais vigor e tempo sobre as riquezas
ilícitas de políticos e de empresários? Essa riqueza ilícita, sim, é um crime
hediondo e detestável que lesa e mata indiscriminadamente, crianças, jovens,
adultos e idosos desse país. Será que nesse caso, para os pseudo-teóricos da
educação, a falta de educação escolar não é a culpada? Tentem explicar para o
povo os motivos para vocês não encontrarem culpa na educação para esses casos.
Ou será então que seus números, estatísticas ou estudos são incapazes, não
devem ou não querem alcançar esses dados?
Pelo que se constata, muitos dos políticos e empresários corruptos vêm
de grandes colégios particulares. Alguns privilegiados, como os Gugus e as
Lulus também estudaram fora do país em grandiosas e centenárias instituições
internacionalmente reconhecidas. Então,
os Gugus e as Lulus, antes de escreverem suas ofensas e teorias sem alicerces,
precisam saber que o professor da escola pública que inadvertidamente ou
displicentemente um dia leu apenas para si seu jornal em sala de aula é tão
culpado pela falta de educação de qualidade nas escolas, quanto um professor do
rico ensino privado que inadvertidamente ou displicentemente um dia leu apenas para
si seu Engels em sala de aula.
O povo também não aguenta mais o velho
discurso dos Gugus e das Lulus quando falam em: “educação para NOSSOS filhos”.
Assim como os políticos em época de campanha, os Gugus e as Lulus insistem em
incluir seus filhos no rol do cidadão comum e desassistido, como se ninguém
soubesse que os filhos deles, em sua grandíssima maioria, nunca frequentaram os
bancos de uma escola pública. A população, que não é boba, bem sabe que os
filhos dos Gugus e das Lulus estão matriculados nas escolas particulares mais
renomadas desse país ou até do exterior, com mensalidades que superam, muitas
vezes, o salário de um ano inteiro do simples trabalhador. O mais incrível é
que em muitas dessas escolas particulares, aos filhos dos Gugus e das Lulus são
oferecidos programas pedagógicos muito diversos dos que seus pais apregoam como
soluções miraculosas para os reles mortais da sociedade que não tem o mesmo
privilégio de poder pagar altas mensalidades. Hipocritamente vendem um ideal
para os filhos do povo e compram outro para seus filhos. Pedem para que,
conformados andemos de fusca, e andam acintosamente de Ferrari. Muitas vezes,
matriculam seus filhos em escolas de ensino rigorosamente tradicional, mas para
os filhos dos pobres enaltecem as escolas ditas libertárias.
Ao equivocado autor, os
professores informam que já possuem qualificação prévia, pois passaram pelos
bancos das escolas superiores, assim como tantos outros profissionais. E os
educadores não podem deixar o pseudo-autor esquecer - já que suas observações
são obtusas – que os docentes continuam a se qualificar diariamente, seja
fazendo outros cursos ou especializações, e certamente nunca negará a continuar
se qualificando, como todo profissional atualmente precisa; inclusive os
pseudo-autores que correm o risco de se tornarem inúteis ao escreverem o que
não sabem. O iludido autor deve ter em mente que a melhor das qualificações é o
convívio na prática diária que os professores possuem com seus alunos. Essa
qualificação o senhor nunca conquistará, pois somente os abnegados, corajosos,
determinados, capacitados e competentes conseguem possuir. Há décadas os
verdadeiros educadores não ignoram a realidade e são protagonistas na
construção desse país. Se o país está no pé em que está, é por causa de nossas
lideranças falhas e corruptas. Se não fossem as qualificações dos professores o
caos certamente seria muito maior.
Os
pais dos alunos de escola pública, ao contrário do que o capcioso autor sugere,
com certeza não escolheria o professor do seu filho na rua, mas certamente se
tivessem a oportunidade de escolher alguém na rua para gerir algumas áreas tão
mal administradas nesse país, não seria improvável que o Brasil poderia estar
bem melhor. Muito provavelmente, se escolhessem na rua uma dona de casa para
gerir a economia teríamos sucesso no combate à inflação e no controle de
gastos. É quase certo, que se escolhessem alguém na rua para legislar e julgar
teríamos um país mais disciplinado e sem impunidade. Talvez, se escolhessem um
escritor na rua teríamos alguém que escrevesse só verdades e muito melhor que
alguns Gugus e Lulus. Para não dizer que os professores são um pessoal
ressentido, eles agradecem por reconhecer que são os guardiães e
retransmissores do conhecimento acumulado ao longo da história da humanidade.
Mas, esses mesmos educadores, tão injustamente espezinhados por ti, o alertam,
que por algum motivo, o senhor deve ter perdido um pouco desse conhecimento
acumulado por eles transmitidos, se não o senhor teria melhores e verdadeiras
argumentações para falar e escrever sobre educação e conseguiria também
escrever um texto minimamente digno e correto. Ainda bem que democraticamente a
categoria sempre permite que todos opinem sobre a educação, até aqueles que
cospem inverdades e sabem pouco ou quase nada sobre o assunto e sobre giz. Não
é mesmo, senhor? Será que um dia os professores terão a mesma liberdade para
opinarem sobre economia, política, segurança, saúde, etc. Até o momento
certamente não tiveram e futuramente não terão. E juntamente com outras
categorias de profissionais desamparados e aposentados, continuarão a serem
massacrados por economistas que sempre tentarão de maneira falsa provar que não
existe dinheiro para melhores salários. Enquanto isso o povo assiste revoltado
e desolado grandes somas de dinheiro “viajando” por diversas mãos sujas com as
tintas de cédulas desviadas dos cofres públicos de maneira legal e não-legal.
Então, os professores nem brigam mais obsessivamente só por salários, pois
sabem que existem pessoas muito mais obsessivas pelo dinheiro público que não
chega a quem de direito. Também sabemos que existem pseudo-estudiosos muito obsessivos
em perseguir os profissionais da educação. Por que será? Será que os
pseudo-autores também correm obsessivamente por cachês mais altos quando
escrevem sobre a educação? Não, talvez não. Isso deve ser inconsistente, pois
se o cachê do pseudo-autor tivesse sido maior, certamente o seu texto teria
sido de uma qualidade muito superior.
Para finalizar, já comemorando o alívio caso o esquecível autor cumpra a
promessa, só resta dizer aos Gugus e Lulus que gostam de falar e escrever sobre
a educação, que o respeito da sociedade não virá com seus textos inverídicos,
suspeitos e ofensivos. Virá quando começarem a notar suas ignorâncias em
determinados assuntos e lutarem para saná-las conhecendo profundamente a
realidade brasileira, proporcionando ao país textos dignos e verdadeiros que
realmente venham a contribuir educativamente para o engrandecimento do país.
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